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Walter Sanches mostra a vida de índios Karajá e Avá-canoeiro em exposição de fotos no Continental Shopping

Walter Sanches

Walter Sanches

Fotografias e textos relatando a vida dos índios do norte de Goiás, especialmente os Karajá e Avá-canoeiro são algumas das atrações da exposição “Índios: a realidade expressa”, do fotógrafo Walter Sanches, que durante 32 anos foi técnico indigenista e chefe de reserva, em Goiás, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

A mostra tem a curadoria da Casaviva – cultural e ambiental Osasco, conta com apoio do Continental Shopping e pode ser visitada de 16 a 28 de abril, das 10h às 22h, no Espaço Cultural (3º Piso). Entrada franca. Endereço: Avenida Leão Machado, 100 – Jaguaré.

No dia 16 de abril (terça-feira), às 20 horas, haverá evento de abertura com a presença de representantes indígenas locais, educadores e interessados no tema. Na abertura haverá apresentação musical e performance artística mesclando teatro e poesias sobre o índio.

Segundo Carlos Marx, ambientalista e coordenador da Casaviva, no acervo da exposição há imagens da rotina do dia-a-dia dos índios, cenas individuais e em grupo, em espaços abertos e fechados, dentre outros.

“As imagens são impactantes e lindas ao mesmo tempo. A ideia do empreendimento é trazer a vida dessas pessoas para mais perto dos nossos clientes, reforçando a riqueza e importância cultural do nosso país” comenta Rodrigo Rufino gerente de marketing do Continental Shopping.
SOBRE WALTER SANCHES

O fotógrafo Walter Sanches trabalhou por 32 anos na FUNAI e vivenciou de perto o sofrimento e a luta dos índios por suas terras e para manter suas culturas e tradições. O indigenista trabalhou com os índios Kraô, Karajá, Tapirapé, Apinajé, Parakanan, Avá-canoeiro.

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Em 1972, trabalhou com o sertanista Cláudio Villas Boas, um dos famosos irmãos, na frente de atração dos índios Kreen-a-Karore, na Serra do Cachimbo, norte de Mato Grosso. Foi nessa época que Sanches começou a fotografar e, em setembro deste ano, traumatizado com os problemas ocorridos com as tribos contatadas pela FUNAI, especialmente os Kreen-a-karore, pediu demissão.

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Em 1973, Sanches cursou fotografia em Belo Horizonte e São Paulo. Em 1974, tornou-se repórter fotográfico e foi trabalhar para a imprensa, ora em São Paulo, ora em Recife, até 1985 quando Apoena Meireles o chamou de volta para a FUNAI. Novamente, foi para a Ilha do Bananal, voltando a ser chefe de uma aldeia Karajá, onde estava programada a construção da estrada Transaraguaia, e os problemas pipocavam. Lá permaneceu por cinco anos e após esse tempo foi enviado para a Serra da Mesa, em Minaçu, Goiás, onde Furnas estava construindo uma grande represa em terra indígena e precisava de um técnico indigenista para acompanhar os índios Avá-canoeiro. Ficou com esse grupo indígena até 2013, quando se aposentou.

Hoje, Walter Sanches reside em Nova Friburgo/RJ, onde nasceu em 1943 e atualmente mantém seu enorme arquivo fotográfico com a memória da vida de inúmeros povos originários do Brasil, que lutaram e lutam até hoje para manter a dignidade restante.
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SOBRE OS KARAJÁ

Habitantes seculares das margens do rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, os Karajá têm uma longa convivência com a Sociedade Nacional, o que, no entanto, não os impediu de manter costumes tradicionais do grupo como a língua nativa, as bonecas de cerâmica, as pescarias familiares, os rituais como a Festa de Aruanã e da Casa Grande (Hetohoky), os enfeites plumários, a cestaria, o artesanato em madeira e as pinturas corporais. Até hoje reivindicam seus direitos territoriais, o acesso à saúde, educação bilingüe, entre outros.

SOBRE OS AVÁ-CANOEIRO

Estes sofreram muitos massacres durante a história e, por isso, grande parte da cultura se perdeu. Segundo pesquisadores, existem, hoje, apenas seis índios dessa etnia, que vivem em uma reserva em Minaçu, no norte de Goiás, e corre sério risco de extinção. A Terra Indígena Avá-Canoeiro tem 38 mil hectares de extensão e se localiza entre as cidades de Minaçu e Colinas do Sul, Goiás. Também conhecidos como “Cara Preta”, estes têm sua história conhecida a partir da chegada dos bandeirantes, responsáveis pelo primeiro contato do homem branco. Segundo informações do Instituto Sociambiental (ISA), existem ainda mais dois grupos Avá-Canoeiro que não mantêm contato com a sociedade.

SAIBA MAIS
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