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Crime ambiental: barragem da Vale se rompe em Brumadinho, na região metropolitana de MG

Responsáveis pela empresa Vale devem ser criminalizados pelas mortes e presos o mais rápido possível.

BRUMADINHO

Uma barragem da mineradora Vale se rompeu na tarde de sexta-feira (25/01), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um mar de lama avançou sobre a área administrativa da empresa e casas da região do Córrego do Feijão. O rompimento de barragem é considerado, por ambientalistas, crime ambiental e humano. Dezenas de pessoas morreram e muitas estão desaparecidas.

A lama seguiu rumo ao rio Paraopeba, um dos principais afluentes do São Francisco. Parte do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte é feita com a captação da água do Paraopeba. A Copasa afirmou que está suspensa a captação da água do rio Paraopeba em Brumadinho e que o abastecimento da população atendida pelo sistema Paraopeba está sendo realizado por outras represas e pelo Rio das Velhas.

O rompimento provocou o transbordamento de outras duas barragens. Os bombeiros afirmaram que vazaram 13 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério. Essa barragem que se rompeu é chamada de barragem à montante, mesmo tipo da barragem de Fundão. O alteamento delas é feito com o próprio rejeito e em direção à barragem. Especialistas em mineração alertam que elas são as mais comuns e mais baratas.

A lei que instituiu a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) precisa de revisão para ser aperfeiçoada. Criada em 2010, a PNSB tem, entre as metas, garantir a observância de padrões de segurança para reduzir a possibilidade de acidentes em barragens.

A lei prevê, entre outras obrigações que devem ser cumpridas pelas empresas: elaboração adequada de um plano de ação de emergência (PAE); elaboração de um plano de segurança da barragem; realização de inspeções e revisões periódicas de segurança.

O QUE SE SABE ATÉ O MOMENTO

• Há ao menos 58 mortos, segundo os bombeiros; 192 sobreviventes foram resgatados
• De acordo com a Defesa Civil, 305 pessoas estão desaparecidas – entre moradores locais e funcionários da Vale. No sábado, a Vale divulgou uma lista com nomes de pessoas que não foram encontradas
• Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;
• Dezesseis corpos foram identificados
• Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas