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Por que tanta pressa?

pressa*Marcelo Gleiser

Para resgatarmos nosso controle sobre o tempo, é preciso criar espaço para a contemplação da vida.

Sei que ninguém gosta muito de pensar em assuntos pesados durante essa época pré-natalina, mas, como todo momento de reflexão, o fim de ano é sempre propício para darmos uma parada e analisarmos um pouco como andam as coisas.

A primeira palavra que me vem em mente quando penso na vida moderna é dispersão. Existe uma competição constante pela nossa atenção entre os produtores de novas tecnologias, de comida, de roupas; há uma necessidade crescente de estarmos “ligados” com o que está acontecendo, e já não basta rádio e televisão; tem que ser pelo Facebook, pelo Twitter, pelo Google Plus e um bando de outras redes sociais.

Cada instante é ocupado por algo que vemos numa tela, pequena ou grande. A informação vem em torrentes incessantes. Se esquecemos nosso celular em casa, é como se tivéssemos perdido um dedo ou outra parte do corpo. Os celulares tornaram-se parte integral de nossa existência, um apêndice tecnológico que nos define como indivíduos. Tornaram-se um vício, como verificamos assim que pousa um avião e todo mundo se precipita para ligar seu iPhone ou seu Galaxy, como se naquele voo de 45 minutos a história do mundo tivesse se transformado de forma profunda e aquele e-mail que mudará a sua vida tivesse finalmente chegado.

Não nos permitimos mais espaço para a contemplação.

Sei que isso está parecendo papo de velho, atravancado com os avanços tecnológicos. Mas não é nada disso; eu mesmo tenho todos os brinquedos tecnológicos que existem e os uso como todo mundo, com muito prazer. Portanto, essa reflexão é para mim também, mesmo se digitada em meu laptop.

Muita gente me pergunta se o tempo está mudando, passando mais rápido. Essa é uma percepção psicológica da passagem do tempo, que nada tem a ver com a passagem física do tempo. A duração do dia muda muito lentamente, e muda no sentido inverso, aumentando e não diminuindo, devido à fricção gravitacional das marés causadas pela atração entre Terra, Lua e Sol.

O tempo está passando mais rapidamente, ou assim o percebemos, porque cada vez temos menos controle sobre ele. O ócio é algo que consideramos quase que pecaminoso (esquecendo os pecados capitais); qualquer brecha de tempo nós enchemos com uma leitura no Twitter, do Facebook, de e-mail, um videozinho no YouTube, ou um podcast qualquer.

Uma das maiores vítimas dessa correria moderna é nossa conexão com a natureza.

Na ânsia pela informação, pouco desviamos os olhos das telas. Olhar para o céu é algo que raramente fazemos, especialmente nas grandes cidades. Para a maioria das pessoas a natureza é um conceito, algo que existe lá longe, nas fotos que vemos nas revistas, ou nos vídeos do YouTube e especiais de TV.

Para resgatarmos nosso controle sobre o tempo é necessário retornarmos à natureza, criarmos espaço para a contemplação das formas de vida, das árvores, das flores e animais; é necessário olharmos para o céu noturno, longe das luzes da cidade. Assim conseguiremos desacelerar, buscando outro tipo de informação que nos liga ao que temos de mais essencial: nossa relação com os ciclos e ritmos do Cosmo.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de “Criação Imperfeita”.

Mídia Ninja e o futuro desfocado

FERNANDO GABEIRA

As manifestações de junho revelaram ao País a Mídia Ninja, grupo de jovens que usa smartphones para divulgar ao vivo os protestos de rua e eventuais confrontos com a polícia. Tive a oportunidade de entrevistar um deles, Bruno Torturra, e na ocasião tentei quebrar um pouco a rígida dicotomia entre imprensa profissional e jovens amadores com uma visão excludente do processo.

F.GabeiraCreio que grande parte dos temas agitados nas ruas do Brasil foi divulgada pela imprensa profissional. O que as redes sociais fizeram foi metabolizar os escândalos e deslizes amplamente registrados nos grandes veículos de comunicação. É inegável que existe mão dupla. A grande imprensa é muita atenta às redes sociais e procura pescar todos os temas que lhe parecem dignos de publicação. É assim que ela trabalha – ou deveria -, com antenas sempre ligadas no que acontece em qualquer lugar, o mundo virtual incluído.

Na cobertura das manifestações a Mídia Ninja conseguiu ficar bem próxima dos jovens que protestavam e dos policiais que, eventualmente, os reprimiam. Isso era melhor que as tomadas de helicóptero, embora a visão de cima dê também boa ideia da magnitude do protesto e de como evolui espacialmente. Mas, como dizia Robert Capa, se a imagem não é tão boa, é porque não chegamos perto o bastante do objetivo. É a visão de um fotógrafo de guerra que se pode estender a outros campos.

Em nova entrevista de TV, os jovens da Mídia Ninja deram a entender que há uma crise na imprensa clássica e eles representam uma verdadeira alternativa a ela, no futuro. Isso se choca com meio século de experiência no ofício e o exame de outras tentativas, mundo afora, de achar um caminho para as limitações da imprensa, sobretudo as que se revelaram com o impacto da revolução digital.

A Mídia Ninja dá a entender que pretende financiar seu trabalho com o apoio dos próprios leitores. É o que tentam fazer algumas agências de fotógrafos, via crowdfunding. Na verdade, a iniciativa é uma extensão de algo que já deu certo no mundo musical, projetando inúmeros grupos independentes. Mas as experiências de financiamento entre os fotógrafos partem de um portfólio mostrando a capacidade específica do profissional e do detalhamento do projeto a ser financiado. É uma tentativa de reinserir no fluxo de informações um material de alta qualidade que as circunstâncias econômicas das revistas já não permitem financiar. Impossível buscar informação em vários cantos do País e do mundo sem recursos para passagens, hotel e aluguel de carro, para ficar só nas despesas mais rotineiras.

A primeira condição de crowdfunding, em jornalismo, é a alta qualidade do material produzido, o que a Mídia Ninja não pode oferecer, pelas circunstâncias da cobertura e pelo precário domínio técnico. Viver disso significa preocupar-se com detalhes: ângulo, luminosidade, enquadramento, composição – enfim, as técnicas que permitem transmitir a informação com nitidez. Se tudo isso é considerado secundário, o que é o principal? Estar presente e tomar o partido dos oprimidos, ainda que a mensagem seja um lixo técnico.

Isso me remete às discussões que tive com Glauber Rocha pelas ruas de Havana e me valeram um mal-entendido. O sonho de Glauber era associar-se aos grupos de guerrilha e ser o cineasta de suas ações armadas contra as ditaduras militares do continente. Disse-lhe francamente que achava a ideia problemática. Glauber teria de morrer como um grande cineasta e se tornaria um documentarista precário dos fatos, sempre escravizado pela segurança da ação e pela obediência ao comando da guerrilha. Ele entendeu que estava propondo seu suicídio e por muitos anos não falou comigo.

O problema que discutíamos em Havana ainda é válido hoje. É impossível expressar o talento pessoal, amplamente, tendo de se submeter aos interesses de um grupo, que decide o que e como publicar. Os jovens da Mídia Ninja acham que a grande imprensa é parcial. E, em vez de defender a imparcialidade, tomam partido e afirmam que a verdade surgirá do intercâmbio de múltiplas parcialidades. Essa discussão é uma das mais antigas e, diria, entediantes, depois de tantas madrugadas nos bares de Ipanema. Apontar a câmera para um lado, e não para o outro, já significa uma escolha pessoal. Imagens, verbos, adjetivos, tudo isso expressa uma tomada de posição. Em certos fatos jornalísticos, que envolvem também a concepção democrática de cada um, fica visível onde está e o que quer o narrador.< /p>

Mas existem certos princípios na informação de qualidade. Um é a importância de ouvir os dois lados. Outro é a humildade do repórter, que mesmo tendo uma posição sobre determinado tema não tenta conformar a realidade à sua tese. É preciso estar aberto para o que realmente está acontecendo e jogar para o alto as ideias que não correspondam aos fatos.

Quando alguém da Mídia Ninja é preso, a grande imprensa relata em detalhes e busca explicações da polícia. Quando carros das emissoras de TV são queimados por manifestantes, é de esperar que a Mídia Ninja também combata esse tipo de violência e todas as outras formas de agressão. Se o nome do jogo é informação, a liberdade de imprensa é um bem comum. Quem vai sobreviver ao tsunami da revolução digital, quem vai naufragar, tudo é uma questão de talento e capacidade de adaptação aos tempos revoltos. Não creio em profissionais especializados em manifestações, muito menos sustentados por grupos em fusão, que se desfazem e recompõem indefinidamente.

Ao ver na TV a história de coletivos com casas próprias e líderes que combinam picaretagem política com certo tom religioso, pressinto os descaminhos que se impõem, com dinheiro oficial, à cultura brasileira. Descaminhos que, no fundo, desprezam a cultura e a substituem pelo militante fanático. Quem não se lembra da Revolução Cultural chinesa? Foi um dos momentos mais indignos da História humana. É preciso ler um pouco sobre isso para evitar algumas novidades que, no fundo, são apenas o retorno da barbárie.

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo em 16/08/2013

Apostila: Cartilha Eleitoral 2012

PARTIDO VERDE ESTADUAL DE SÃO PAULO

SECRETÁRIO DE ORGANIZAÇÃO – Arnaldo Juste Jr.

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

As eleições municipais serão realizadas no primeiro domingo de Outubro, dia 07/10/2012.

Os candidatos a Prefeito e Vice-Prefeito poderão pertencer ao mesmo partido ou a partidos coligados. Elegem-se quando conquistarem a maioria dos votos.

No caso dos Municípios com mais de 200.000 eleitores, o candidato deve obter maioria absoluta (mais de 50% dos votos), do contrário será realizado um segundo turno com os dois mais votados no primeiro.

Os Vereadores concorrem na eleição proporcional e são eleitos de acordo com o coeficiente eleitoral conquistado por seu partido.

CONVENÇÕES  

As Convenções Municipais para a escolha de candidatos e coligações serão realizadas no período de 10 a 30 de Junho de 2012, segundo normas estatutárias de cada Partido. Para tanto, poderão ser utilizados gratuitamente prédios públicos, assumindo a responsabilidade por eventuais danos.

Os atuais Vereadores, no exercício do mandato eletivo, não possuem o direito à candidatura nata, por força da decisão liminar do STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 2530-9, que suspendeu a eficácia do parágrafo primeiro, do art. 8º, da Lei nº 9504/97.

Os atuais Prefeitos e Vice-Prefeitos, mesmo que no exercício do mandato eletivo e com direito à reeleição, não são candidatos natos, devendo ser homologados em Convenção Partidária.

As Convenções deverão sortear os números correspondentes a cada candidato.

COLIGAÇÕES 

A coligação terá denominação própria com as atribuições, prerrogativas e obrigações de partido político quanto ao processo eleitoral. A denominação da coligação não poderá coincidir, incluir ou fazer referência a nome ou número de candidato, nem conter pedido de voto para partido político. Deverá possuir um representante com a equivalência legal de Presidente de Partido e três delegados indicados.

Na proporcional, a coligação pode ocorrer com quaisquer partidos e composição, desde que todos sejam integrantes do bloco da majoritária, não sendo permitida a inclusão de um partido que não faça parte da coligação para prefeito.

REGISTRO DE CANDIDATOS 

Condições para se candidatar: ser brasileiro (a), com plenos direitos políticos e alistamento eleitoral, possuir domicílio eleitoral na circunscrição (um ano), filiação partidária (um ano), idade mínima de 21 anos para Executivo e 18 para o Legislativo, sempre na data da posse.

Prazos: Os partidos políticos e as coligações devem solicitar ao Juiz Eleitoral o registro de candidatos até as 19 horas do dia 05 de Julho de 2012. O requerimento de registro deverá ser assinado pelo Presidente do Diretório Municipal, ou da respectiva comissão diretora provisória, ou por delegado autorizado. Na coligação, o requerimento deve ser subscrito pelos presidentes dos partidos coligados, por seus delegados, pela maioria dos membros dos respectivos órgãos executivos de direção ou por representantes da coligação designados.

DOCUMENTOS PARA REGISTRO

O pedido de registro deverá estar acompanhado dos seguintes documentos:

I – Cópia da ata da convenção, conferida pelo cartório eleitoral;

II – Autorização do candidato por escrito;

III – Prova de filiação partidária, mediante certidão do cartório eleitoral;

IV – Declaração de bens, assinada pelo candidato;

V – Cópia do título eleitoral ou certidão do cartório eleitoral de que é eleitor no Município ou transferiu há mais de um ano;

VI – Certidão de quitação eleitoral;

VII – Certidões criminais da Justiça Eleitoral, Federal e Estadual, com jurisdição no domicílio eleitoral do  candidato;

VIII – Fotografia do candidato com dimensões 5×7, sem moldura, fundo branco, frontal, trajes adequados, sem adornos e sem identificação eleitoral;

IX – propostas defendidas pelo candidato a Prefeito.

Na hipótese de o partido ou coligação não requerer o registro de seus candidatos, estes poderão fazê-lo perante a Justiça Eleitoral, observado o prazo máximo de quarenta e oito horas seguintes à publicação da lista dos candidatos pela Justiça Eleitoral.

NÚMERO DE VAGAS PARA REGISTRO

Cada partido poderá registrar candidatos à Câmara em até 150% do número de vagas. Cada coligação poderá registrar candidatos à Câmara em até 200% do número de vagas.

Cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo.

 Tabelas Exemplificativas: 

NÚMERO DE   CANDIDATOS – SEM COLIGAÇÃO

VAGAS NA CÂMARA

CANDIDATOS HOMENS

CANDIDATAS MULHERES

TOTAL DE CANDIDATOS   DO PARTIDO

9

9

5

14

11

11

6

17

13

14

6

20

15

16

7

23

17

18

8

26

19

20

9

29

21

22

10

32

NÚMERO   DE CANDIDATOS – COM COLIGAÇÃO PROPORCIONAL

VAGAS   NA CÂMARA

CANDIDATOS   HOMENS

CANDIDATAS   MULHERES

TOTAL   DE CANDIDATOS DA COLIGAÇÃO

9

12

6

18

11

15

7

22

13

18

8

26

15

21

9

30

17

23

11

34

19

26

12

38

21

29

13

42

DESINCOMPATIBILIZAÇÃO

As desincompatibilizações são diferenciadas levando-se em conta a disputa para o Poder Executivo ou Legislativo. Em regra, para a Câmara de Vereadores o prazo é de seis meses anteriores ao pleito. Os cargos de Prefeito e Vice-Prefeito mesclam os períodos de seis e de quatro meses para renúncia ou afastamento, conforme o caso.

Os seis meses de afastamento por renúncia ocorrem somente nos casos em que o Prefeito deseja concorrer a Vice-Prefeito ou Vereador. O Vice-Prefeito não necessita afastar-se, nem mesmo se vier a concorrer a cargo diverso do que ocupa.

Para concorrer ao cargo de Prefeito ou Vice-Prefeito, devem se desincompatibilizar, nos quatro meses que antecedem a eleição, os seguintes ocupantes de funções e cargos públicos:

a) os Magistrados, os Presidentes, Diretores e Superintendentes de autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas e as mantidas pelo poder público;

b) os Secretários de Estado, os membros do Tribunal de Contas do Estado, os ocupantes de cargos vinculados ao lançamento, arrecadação ou fiscalização de impostos, taxas e contribuições de caráter obrigatório, inclusive para fiscais, ou para aplicar multas relacionadas com essas atividades;

c) os detentores de cargo ou função de direção, administração ou representação nas empresas de que tratam os arts. 3° e 5° da Lei n° 4.137, de 10 de setembro de 1962, quando, pelo âmbito e natureza de suas atividades, possam tais empresas influir na economia nacional (local);

d) os que tenham ocupado cargo ou função de direção, administração ou representação em entidades representativas de classe, mantidas, total ou parcialmente, por contribuições impostas pelo poder Público ou com recursos arrecadados e repassados pela Previdência Social;

e) os ocupantes de cargo ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que  obedeça a cláusulas uniformes;

f) os servidores públicos, estatutários ou não, dos órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, inclusive das fundações mantidas pelo Poder Público, garantido o  direito à percepção dos seus vencimentos integrais;

g) os membros do Ministério Público e Defensoria Pública em exercício na Comarca, sem prejuízo dos vencimentos integrais;

h) as autoridades policiais, civis ou militares, com exercício no Município.

Não há necessidade de exoneração do cargo que ocupa quando for candidato fora da circunscrição eleitoral (cargo em comissão em município diferente do qual deseja candidatar-se).

A desincompatibilização de conselheiros tutelares no município é de três meses antes do pleito.

O prazo de desincompatibilização para diretor de escola estadual concorrer ao cargo de Vereador é de três meses.

_______________________________________________________________________________________________

 Todas as informações contidas nesse material foram retiradas da CARTILHA ELEITORAL 2012, elaborada por GLADIMIR CHIELE – OAB/RS 41.290, Consultor em Direito Público, com a colaboração de Joelson Dias e Siloé Tramontt.

As informações foram compiladas nesse documento por João Artur Camargo de Oliveira, assistente técnico do Partido Verde.

A Cartilha completa está disponível na internet, pelo endereço:

http://www.famurs.com.br/images/arquivosanexos/cartilha%202012%20-%20calendrio%20eleitoral.pdf

ANEXO

CALENDÁRIO ELEITORAL 2012

 9 de maio – quarta-feira

Último dia para o eleitor requerer inscrição eleitoral ou transferência de domicílio.

5 de junho – terça-feira

Último dia para a Justiça Eleitoral enviar aos partidos políticos, na respectiva circunscrição, a relação de todos os devedores de multa eleitoral, a qual embasará a expedição das certidões de quitação eleitoral.

10 de junho – domingo

Data a partir da qual é permitida a realização de convenções destinadas a deliberar sobre coligações e escolher candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador.

Data a partir da qual é assegurado o exercício do direito de resposta ao candidato, ao partido político ou à coligação atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória,injuriosa ou sabidamente inverídica, difundidas por qualquer veículo de comunicação social.

30 de junho – sábado

Último dia para a realização de convenções destinadas a deliberar sobre coligações e escolher candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador.

5 de julho – quinta-feira

Último dia para os partidos políticos e coligações apresentarem no cartório eleitoral, até as 19 horas, o requerimento de registro de candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador.

6 de julho – sexta-feira

Data a partir da qual será permitida a propaganda eleitoral.

Data a partir da qual os candidatos, os partidos políticos e as coligações poderão realizar comícios e utilizar aparelhagem de sonorização fixa, das 8 horas às 24 horas.

Data a partir da qual os partidos políticos registrados podem fazer funcionar, das 8 horas às 22 horas, alto-falantes ou amplificadores de som, nas suas sedes ou em veículos.

10 de julho – terça-feira

Último dia para os candidatos, escolhidos em convenção, requererem seus registros perante o Juízo Eleitoral competente, até as 19 horas, caso os partidos políticos ou as coligações não os tenham requerido.

8 de agosto – quarta-feira (60 dias antes)

Último dia para os órgãos de direção dos partidos políticos preencherem as vagas remanescentes para as eleições proporcionais, observados os percentuais mínimo e máximo para candidaturas de cada sexo, no caso de as convenções para a escolha de candidatos não terem indicado o número máximo previsto.

Último dia para o pedido de registro de candidatura às eleições proporcionais, na hipótese de substituição, observado o prazo de até 10 dias, contados do fato ou da decisão judicial que deu origem à substituição.

21 de agosto – terça-feira (47 dias antes)

Início do período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

2 de setembro – domingo

Último dia para verificação das fotos e dados que constarão da urna eletrônica por parte dos candidatos, partidos políticos ou coligações.

4 de setembro – terça-feira

Último dia para os candidatos, partidos políticos ou coligações substituírem a foto e/ou dados que serão utilizados na urna eletrônica.

22 de setembro – sábado (15 dias antes)

Data a partir da qual nenhum candidato, membro de Mesa Receptora e fiscal de partido poderão ser detidos ou presos, salvo em flagrante delito.

2 de outubro – quinta-feira – (5 dias antes)

Data a partir da qual e até 48 horas depois do encerramento da eleição, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto.

Último dia para os partidos políticos e coligações indicarem aos Juízos Eleitorais representantes para o Comitê Interpartidário de Fiscalização.

4 de outubro – quinta-feira – (3 dia antes)

Último dia para a divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Último dia para propaganda política mediante reuniões públicas ou promoção de comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa entre as 8 e as 24 horas.

Último dia para a realização de debate no rádio  e na televisão, admitida a extensão do debate cuja transmissão se inicie nesta data e se estenda até as 7 horas do dia 5 de outubro de 2012.

Último dia para os partidos políticos e coligações indicarem, perante os Juízos Eleitorais, o nome das pessoas autorizadas a expedir as credenciais dos fiscais e delegados que estarão habilitados a fiscalizar os trabalhos de votação durante o pleito eleitoral.

5 de outubro – sexta-feira (2 dias antes)

Último dia para a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na internet do jornal impresso, de propaganda eleitoral.

6 de outubro – sábado (1 dia antes)

Último dia, até as 22 horas, para a distribuição de material gráfico e a promoção de caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos.

7 de outubro – domingo – DIA DAS ELEIÇÕES – 1º TURNO

- Às 8 horas Início da votação.

- Às 17 horas Encerramento da votação.

É permitida a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato.

Vedada, até o término da votação, a aglomeração de pessoas portando vestuário padronizado, bem como bandeiras, broches, dísticos e adesivos que caracterizem manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículo.

No recinto das Seções Eleitorais e Juntas Apuradoras, é proibido aos servidores da Justiça Eleitoral, aos mesários e aos escrutinadores o uso de vestuário ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato.

Vedado aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, o uso de vestuário padronizado, sendo-lhes permitido tão só o uso de crachás com o nome e a sigla do partido político ou coligação.

28 de outubro – domingo – DIA DA ELEIÇÃO PARA PREFEITO NOS MUNICÍPIOS COM SEGUNDO TURNO.

AGUA & AMBIENTE: DIVERSIDADE E UNIDADE NA POLITICA DE ESTADO

Wallter Tesch (*)

Todo o ano o Dia Mundial da Água é um momento de parada e reflexão da caminhada. A história e os eventos críticos da natureza têm mostrado que as civilizações com maior grau de organização e participação compartilhada, com Princípios e Valores de coesão social são as que têm mais chance de sobreviver a catástrofes e ambientes inóspitos. A água foi e cada vez mais será um fator decisivo nas encruzilhadas civilizatórias. Roma tinha próximo de um milhão de habitantes e ficou com cerca de dez mil quando os aquedutos foram destruídos pelos invasores Godos (535-553). O poder social e de controle na sociedade incaica no Peru se baseava no controle da água.

No campo específico da ÁGUA em São Paulo temos uma herança, fruto de  trabalho coletivo nestes últimos 20 anos (Lei 7.663/1991) que estruturou um ?sistema de gerenciamento? da ?Política Estadual de Recursos Hídricos?. Podemos afirmar que embora imperfeita, é uma herança bendita que obriga a todos a uma vigilância permanente para avançar e consolidar em todas as instancias, nódulos e interseções deste sistema.

Portanto, temos em São Paulo um Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos – SIGRH(www.sigrh.sp.gov.br ) e uma Política de Estado apoiada nos princípios do bem comum. Embora o sistema seja complexo e diversificado, funciona com relativa estabilidade em uma rede articulada. No comando está o Conselho Estadual de Recursos Hídricos que unifica as diretrizes, onde participa o conjunto da sociedade civil  com representações  de 5 blocos de interesses, o Estado com 11 Secretarias e 11 grupos de prefeituras representando os municípios das 22 bacias hidrográficas, Os 21 Comitês das Bacias Hidrográficas são Conselhos Deliberativos que operam uma das mais destacadas experiências de governança democrática das águas nos territórios das regiões do estado. Trabalham tendo por base um Plano Estadual e um Plano da Bacia e têm como suporte técnico e administrativo os Secretariados Executivos  geridos por técnicos  dos órgãos das Secretarias de Saneamento e Recursos Hídricos e Secretaria do Meio Ambiente (CETESB e DAEE).

Uma instancia vital do sistema é o fundo financeiro (FEHIDRO) onde projetos aprovados nos Comitês de Bacias são enquadrados na Lei, no Plano e nas diretrizes técnicas aferidas e acompanhadas por dezenas de profissionais  altamente capacitados.  São 11 instituições que atuam como agentes técnicos credenciados, que acompanham de 350 a 400 novos projetos que ingressam anualmente no sistema. Portanto, esta Política de Estado da Gestão dos Recursos Hídricos, construída e operada com responsabilidade nestes últimos 20 anos, deve merecer especial atenção no funcionamento, aperfeiçoamento e fortalecimento dos dois eixos operacionais: o Fundo Estadual de Recursos Hídricos e os Comitês das Bacia s Hidrográficas.

Assegurar a coesão, ampliação e funcionamento dinâmico deste sistema, assim como a compatibilização das diretrizes políticas, consolidando seus instrumentos de gestão, nas instancias institucionais e locais, constitui tarefa da Coordenadoria de Recursos Hídricos no período 2011-2014.  A metodologia da equipe é participativa, contempla a diversidade de interesses em um espaço de pactuação de ações desta rede sistêmica de gestão das águas do Estado de São Paulo. São Paulo, 22 de março de 2011

(*) Coordenador de Recursos hídricos (Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos)

ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA: O DESAFIO PARA A EDUCAÇÃO DO SÉCULO 21

Texto de Fritjof Capra

Fundador e diretor do Centro para Alfabetização Ecológica em Berkeley, Califórnia. Estados Unidos. É autor de vários best-sellers, como O tao da física, O ponto de mutação, A teia da vida e Conexões ocultas.

À medida que nosso novo século se desdobra, um dos nossos maiores desafios é o de construir e manter comunidades sustentáveis. Como tem havido muita confusão a respeito do conceito de sustentabilidade ecológica, acho que vale a pena refletir por um momento a respeito do verdadeiro significado da palavra “sustentabilidade”.

O conceito foi introduzido no início da década de 1980 por Lester Brown, fundador do Worldwatch Instituto, que definiu comunidade sustentável como a que é capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras. Anos depois, o chamado Relatório Brundtland, encomendado pelas Nações Unidas, usou a mesma definição para apresentar o conceito de “desenvolvimento sustentável “

A Humanidade tem a capacidade de atingir o desenvolvimento sustentável, ou seja, de atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender às próprias necessidades.

Essas definições de sustentabilidade são importantes exortações morais. Elas nos lembram de nossa responsabilidade de passar a nossos filhos e netos um mundo com tantas oportunidades quanto aquelas que herdamos. Entretanto, não nos dizem nada a respeito de como construir, na prática, uma sociedade sustentável.

O que precisamos é de uma definição operacional de sustentabilidade ecológica. A chave para chegar a esta definição operacional está em reconhecer ecológica. A chave para chegar a esta definição operacional está em reconhecer que não precisamos inventar as comunidades humanas sustentáveis a partir do zero, mas podemos moldá-las de acordo com os ecossistemas naturais, que são comunidades sustentáveis de plantas, animais e microrganismos. Como a principal característica da biosfera é sua capacidade intrínseca de manter a vida, uma comunidade humana sustentável deve ser planejada de modo que os estilos de vida, negócios, atividades econômicas, estruturas físicas e tecnológicas não interfiram nessa capacidade da natureza de manter a vida.

Esta definição de sustentabilidade implica que o primeiro passo nesse nosso esforço para construir comunidades sustentáveis deva ser a compreensão dos princípios de organização que os ecossistemas desenvolveram para manter a teia da vida. Esse entendimento se tornou conhecido como “alfabetização ecológica”. Nas próximas décadas, a sobrevivência da Humanidade dependerá da nossa alfabetização ecológica – nossa capacidade de compreender os princípios básicos da ecologia e viver de acordo com eles.

Ecologia profunda

A palavra “ecologia “ vem do grego oikos ( casa ). Ecologia é o estudo de como a Casa Terra funciona. Mais precisamente, é o estudo das relações que interligam todos os moradores da Casa Terra. A ecologia é um campo muito vasto. Pode ser praticada como disciplina científica, como filosofia, como política ou como estilo de vida. Como filosofia, é conhecida por “ ecologia profunda “ , uma escola de pensamento fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess no início da década de 1970. Naess estabeleceu uma distinção importante entre ecologia “ rasa “ e ecologia “ profunda “.

A ecologia rasa é antropocêntrica. Considera que o homem, como fonte de todo valor, está acima ou fora da natureza e atribui a esta um valor apenas instrumental ou utilitário. A ecologia profunda não separa o homem do ambiente; na verdade, não separa nada do ambiente. Não vê o mundo como uma coleção de objetos isolados e sim como uma rede de fenômenos indissoluvelmente interligados e interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e encara o homem como apenas um dos filamentos da teia da vida. Reconhece que estamos todos inseridos nos processos cíclicos da natureza e que deles dependemos para viver.

Em última análise, a consciência da ecologia profunda é uma consciência espiritual ou religiosa. Quando o conceito do espírito humano é entendido como o modo de consciência no qual o indivíduo se sente conectado ao cosmo como um todo, fica claro que a consciência ecológica é espiritual em sua essência mais profunda. Assim, não é de admirar que a ecologia profunda seja compatível com a chamada “ filosofia perene“ das tradições espirituais, como a espiritualidade dos místicos cristãos, a dos budistas, ou a filosofia e cosmologia que estão por trás das tradições dos  índios americanos.

Sistemas vivos

O arcabouço científico mais apropriado para o estudo da ecologia é a teoria dos sistemas vivos. Esta teoria só agora está se apresentando de forma completa, mas tem raízes em vários campos da ciência que se desenvolveram na primeira metade do século 20: a biologia organicista, a psicologia da gestalt, a teoria geral dos sistemas e a cibernética.

Em todos esses campos, os cientistas examinaram sistemas vivos, ou seja, sistemas integrados cujas propriedades não podem ser reduzidas às suas partes menores. Embora seja possível distinguir as partes de qualquer sistema vivo, a natureza do todo é sempre diferente da simples soma de suas partes.

A teoria dos sistemas envolve uma nova maneira de ver o mundo e uma nova forma de pensar, conhecida como “pensamento de sistemas” ou “pensamento sistêmico”. Significa pensar em termos de relações, padrões e contexto. O pensamento sistêmico foi elevado a um novo patamar nos últimos vinte anos com a criação da teoria da complexidade, uma nova linguagem matemática e um novo conjunto de conceitos para descrever a complexidade dos sistemas vivos.

Exemplos desses sistemas não faltam na natureza. Todo organismo – animal, planta, microrganismo ou ser humano – é um todo integrado, um sistema vivo. Partes de organismos, como folhas e células, também são sistemas vivos. Em toda a natureza encontramos sistemas vivos dentro de outros sistemas vivos. Os sistemas vivos também incluem comunidades de organismos, que podem ser sistemas sociais – uma família, uma escola, uma cidade – ou ecossistemas.

Esses sistemas vivos são todos cujas estruturas específicas resultam das interações e interdependências de suas partes. A teoria dos sistemas ensina que todos os sistemas vivos compartilham de propriedades e princípios de organização comuns. Isto significa que o pensamento sistêmico pode ser usado para integrar disciplinas e descobrir semelhanças entre  diferentes fenômenos dentro da ampla gama de sistemas vivos.

Os princípios da ecologia são princípios de organização comuns a todos esses sistemas vivos. São os padrões básicos da vida. Na verdade, nas comunidades humanas eles poderiam também ser chamados de princípios comunitários. É claro que existem muitas diferenças entre os ecossistemas e as comunidades humanas. Nos ecossistemas não existe cultura, não existe consciências, não existe justiça, não existe equidade. Não podemos aprender nada sobre esses valores humanos com os ecossistemas. Contudo, o que podemos aprender, e devemos aprender, é como viver de forma sustentável. Ao longo de mais de três bilhões de anos de evolução, os ecossistemas se organizaram de modo a maximizar sua sustentabilidade. Esta sabedoria da natureza é a essência da alfabetização ecológica.

A teia da vida

Um dos mais importantes ensinamentos da abordagem sistêmica da vida é o reconhecimento de que as redes constituem o padrão básico de organização de todos os sistemas vivos. Os ecossistemas são compreendidos em termos de teias alimentares (ou seja, de redes de organismo); os organismos são redes de células e as células são redes de moléculas. A rede  é um padrão comum a todas as formas de vida. Onde existe vida existem redes.

Uma análise mais detalhada dessas redes vivas mostra que sua característica principal é  que são autógenas. Em uma célula, por exemplo, todas as estruturas biológicas são continuamente produzidas, consertadas e regeneradas por uma rede de reações químicas. Da mesma forma, as células do corpo de um organismo pluricelular são continuamente regeneradas e recicladas por sua rede metabólica. As redes vivas estão sempre criando ou recriando a si próprias através da transformação ou substituição dos seus componentes.

A vida na sociedade também pode ser compreendida em termos de redes, mas neste caso não estamos lidando com reações químicas; estamos lidando com comunicações. As redes vivas das comunidades humanas são redes de comunicações. Como as redes biológicas, essas redes são autógenas, mas o que geram é basicamente imaterial. Cada comunicação cria pensamentos e significados que dão origem a novas comunicações; é assim que toda a rede está continuamente gerando a si própria.

À medida que as comunicações acontecem em uma rede social, elas acabam produzindo um sistema compartilhado de crenças, explicações e valores – um contexto comum de significados, conhecido como cultura, que é sustentado continuamente por novas comunicações. Através da cultura, os indivíduos adquirem identidades, como membros da rede social.

A mudança de objetos para relações

É importante perceber que as redes vivas não são estruturas materiais, como uma rede de pescar ou uma teia de aranha. São redes funcionais, redes de relações entre vários processos. Em uma célula, por exemplo, estes processos são reações químicas entre as moléculas. Numa teia alimentar, estes processos são processos de nutrição, de organismos comendo uns aos outros. Em uma rede social, os processos são comunicações. Em todos estes casos, a rede é um padrão imaterial de relações.

Compreender sistemas vivos, portanto, nos leva a compreender relações. Este é um aspecto-chave do pensamento sistêmico. Implica uma mudança de enfoque, de objetos para relações. Compreender relações não é fácil para nós, porque é algo que vai contra o método científico tradicional da cultura ocidental. Na ciência, assim nos ensinaram, medimos e pesamos coisas. Acontece que as relações não podem ser medidas nem pesadas; precisam ser mapeadas. Podemos desenhar um mapa de relações, interligando diferentes elementos ou diferentes membros de uma comunidade. Quando fazemos isto, descobrimos certas configurações de relações que aparecem repetidamente. É a isto que chamamos de padrões. O estudo de relações nos leva ao estudo de padrões.

Matéria e forma

Descobrimos aqui uma tensão que tem sido uma das características principais da ciência e da filosofia ocidental através dos tempos. Trata-se da tensão entre duas abordagens para compreender a natureza: o estudo da matéria e o estudo da forma. São duas abordagens muito diferentes. O estudo da matéria começa com a pergunta “ de que isto é feito?  “, que leva aos conceitos de elementos fundamentais, de unidades básicas; “ à medição e quantificação. O estudo da forma pergunta: “ qual é o padrão ? “, que remete aos conceitos de ordem, organização, relações. Em vez de quantidade, envolve qualidade; em vez de medição, envolve mapeamento.

Portanto, são duas linhas de investigação bem diferentes que têm competido entre si na nossa tradição cientifica e filosófica. A maior parte do tempo, o estudo da matéria – de quantidades e componentes – predominou. Nas últimas décadas, porém, o progresso do pensamento sistêmico colocou o estudo da forma – de padrões e relações – de novo em evidência. A principal ênfase da teoria da complexidade está nos padrões. Os atratores estranhos da teoria do caos e os fractais da geometria moderna são padrões visuais. Toda a nova matemática da complexidade é essencialmente uma matemática de padrões.

Arte e educação

O estudo da matéria é o estudo de grandezas que podem ser medidas; o estudo da forma é o estudo de relações que podem ser mapeadas. Para compreender padrões, é preciso visualizá-los e mapeá-los. É por isso que sempre que o estudo dos padrões esteve em destaque os artistas contribuíram significativamente para o progresso da ciência. Talvez os dois exemplos mais famosos sejam Leonardo da Vinci, cuja vida cientifica foi um estudo de padrões, e o poeta alemão Goethe, no século 18, responsável por contribuições importantes para a biologia através do estudo de padrões.

Para os educadores, isso abre as portas para a integração das artes ao currículo escolar. Não há praticamente nada mais eficaz que as artes ( as artes visuais, a música, as artes cênicas ) para desenvolver e refinar a capacidade natural de uma criança de  reconhecer e expressar padrões. Assim, as artes podem ser um instrumento poderoso para ensinar o pensamento sistêmico, além de reforçarem a dimensão emocional que tem sido cada vez mais reconhecida como um componente essencial do processo de aprendizagem.

Os princípios da ecologia

Quando o pensamento sistêmico é aplicado ao estudo das múltiplas relações que interligam os membros da Casa Terra, alguns princípios básicos podem ser reconhecidos. Eles podem ser chamados de princípios da ecologia, princípios da sustentabilidade ou princípios da comunidade; ou podem até mesmo ser chamados de fatos básicos da vida. Precisamos de um currículo que ensine a nossas crianças estes fatos fundamentais da vida:

  • nenhum ecossistema produz resíduos, já que os resíduos de uma espécie são o alimento de outra;
  • a matéria circula continuamente pela teia da vida;
  • a energia que sustenta estes ciclos ecológicos vem do Sol;
  • a diversidade assegura a resiliência;
  • a vida, desde o seu início há mais de três bilhões de anos, não conquistou o planeta pela força, e sim através de cooperação, parcerias e trabalho em rede.

….Ensinar esse saber ecológico, que também corresponde à sabedoria dos antigos, será o papel mais importante da educação no século 21. A alfabetização ecológica deve se tornar um requisito essencial para políticos, empresários e profissionais de todos os ramos, e deveria ser uma preocupação central da educação em todos os níveis – do ensino fundamental e médio até as universidades e os cursos de educação continuada e treinamento de profissionais.

Educação para uma vida sustentável

No Centro de Ecoalfabetização da Califórnia, meus colegas e eu estamos desenvolvendo, nos níveis da escola primária e secundária, um sistema de educação para uma vida sustentável. Isso envolve uma pedagogia centrada na compreensão da vida, uma experiência de aprendizagem no mundo real que supere a nossa alienação da natureza e reacenda o senso de participação e um currículo que ensine às nossas crianças os princípios básicos da ecologia. A alfabetização ecológica está sendo ensinada hoje em uma rede crescente de escolas da Califórnia e começa a se espalhar para outras regiões do mundo. Esforços semelhantes estão sendo encaminhados no ensino superior, liderados pela Second Nature, uma organização educacional em Boston que colabora com muitas instituições de ensino para tornar a educação para a sustentabilidade uma parte fundamental da vida universitária.

Revendo os componentes principais da pedagogia que desenvolvemos, procurarei cobrir o maior número de aspectos possível, mas quero frisar que as palavras são capazes de transmitir apenas uma pequena parte da história. A verdadeira mensagem está nos rostos das crianças, em seus sorrisos, suas histórias, seus desenhos, suas poesias. Assim, recomendo aos leitores que visitem nosso site na Internet, www.ecoliteracy.org, que contém muitas fotografias, histórias e outras informações.

A horta escolar

Nos últimos dez anos descobrimos que plantar uma horta e usá-la como recurso para o preparo de refeições na escola é um projeto perfeito para experimentar o pensamento sistêmico e os princípios da ecologia em ação. A horta restabelece a conexão das crianças com os fundamentos da alimentação – na verdade, com os próprios fundamentos da vida – ao mesmo tempo em que integra e torna mais interessantes praticamente todas as atividades que acontecem na escola.

Uma das características principais das redes vivas é o fato de que todos os seus nutrientes se movem em ciclos. Em um ecossistema, a energia flui ao longo da rede, enquanto a água, o oxigênio, o carbono e todos os outros nutrientes se movimentam pelos conhecidos ciclos ecológicos. Da mesma forma, o sangue circula por nosso corpo, assim como o ar, a linfa, e assim por diante. Onde existe vida existem redes; e onde existem redes vivas existem ciclos. A teia da vida, o fluxo de energia e os ciclos da natureza são exatamente os fenômenos que as crianças podem experimentar, investigar e compreender enquanto estão cuidando de  uma horta.

A compreensão da vida em termos de redes, fluxos e ciclos é relativamente nova para a ciência, mas constitui uma parte essencial da sabedoria das tradições espirituais; não é coincidência que o cultivo de vegetais e a preparação de alimentos a partir de produtos cultivados tenham sido incorporados à prática religiosa de muitas tradições espirituais.

O cultivo de vegetais e a preparação dos alimentos são exemplos de trabalho cíclico – trabalho que tem que ser repetido indefinidamente, que não deixa marcas duradouras. Você prepara uma refeição e ela é imediatamente consumida. Lava os pratos, mas eles logo estarão sujos de novo. Planta, cuida da horta, colhe, e então planta de novo. Este trabalho é parte da vida monástica, porque nos ajuda a reconhecer a ordem natural de crescimento e declínio, de nascimento e morte, tornando-nos conscientes de como estamos todos inseridos nesses ciclos da natureza.

Na horta, aprendemos sobre os ciclos alimentares e integramos os ciclos naturais dos alimentos aos nossos ciclos de plantio, cultivo, colheita, compostagem e reciclagem. Através desta prática, aprendemos ainda que a horta como um todo está inserida em sistemas maiores que também são redes vivas, com seus próprios ciclos. Os ciclos dos alimentos interagem com esses ciclos maiores – o ciclo da água, o ciclo das estações, e assim por diante-, que são todos filamentos da rede planetária da vida.

Agricultura orgânica

Na horta, aprendemos que um solo fértil é um solo vivo, que contém bilhões de organismos vivos por centímetro cúbico. Estas bactérias do solo executam várias transformações químicas que são essenciais para a manutenção da vida na terra. Devido à importância fundamental do solo vivo, devemos preservar a integridade dos grandes ciclos ecológicos em nossas hortas e atividades agrícolas. Este princípio está incorporado aos métodos tradicionais de cultivo, que se baseiam em um respeito profundo pela vida. Os fazendeiros costumavam plantar diferentes variedades de plantas a cada ano, fazendo um rodízio de culturas de modo que o equilíbrio do solo fosse preservado. Os pesticidas não eram necessários, já que os insetos atraídos por uma planta poderiam não voltar no ano seguinte. Em vez de recorrer a fertilizantes químicos, os fazendeiros enriqueciam suas terras com estrume, devolvendo assim ao solo a matéria orgânica para completar o ciclo ecológico.

Há cerca de quatro décadas, essa prática milenar de agricultura orgânica mudou drasticamente com a introdução maciça de fertilizantes químicos e pesticidas. O uso de produtos químicos perturbou seriamente o equilíbrio do solo, o que teve um grave efeito sobre a saúde humana, já que qualquer desequilíbrio do solo afeta os vegetais que ali se desenvolvem e, portanto, a saúde das pessoas que deles se alimentam. Felizmente, um número cada vez maior de fazendeiros está se dando conta dos perigos da agricultura química e voltando a usar métodos orgânicos, ecológicos. A horta da escola é o lugar ideal para ensinar a nossas crianças as vantagens da agricultura orgânica.

Um senso de lugar

Através da horta também nos tornamos conscientes de que fazemos parte da teia da vida; com o tempo, a experiência da ecologia na natureza nos proporciona um senso de lugar. Nós nos damos conta de que estamos inseridos em um ecossistema, numa paisagem com flora e fauna peculiares, em um sistema social e uma cultura próprios.

Para as crianças, estar na horta é algo mágico. Como diz um dos nossos professores, “uma das coisas mais interessantes sobre a horta é que estamos criando um espaço mágico para crianças que jamais teriam acesso a um lugar como este, nem a oportunidade de travar contato com a terra e com as coisas que crescem. Você pode ensinar tudo o que quiser às crianças, mas estar ali, plantando, cozinhando e comendo, essa é uma ecologia que toca o coração e se tornará importante para elas”.

Crescimento e desenvolvimento

Na horta, observamos o ciclo de vida de um organismo – nascimento, crescimento, maturação, decadência e morte – e o surgimento da nova geração. Através da horta experimentamos o crescimento e o desenvolvimento a cada dia. Na verdade, a compreensão do crescimento e do desenvolvimento é essencial não apenas para a horta, mas também para a educação. Enquanto as crianças aprendem que seu trabalho na horta escolar muda de acordo com o desenvolvimento e o amadurecimento das plantas, os métodos de ensino do professor e todo o seu discurso na sala de aula mudam com o desenvolvimento e o amadurecimento dos alunos.

A partir do trabalho pioneiro de Jean Piaget, Maria Montessori e Rudolf Steiner surgiu um amplo consenso entre cientista e educadores quanto ao desenvolvimento das funções cognitivas na criança em crescimento. Parte deste consenso é o reconhecimento de que um ambiente de aprendizagem rico, multissensorial – envolvendo as formas e texturas, as cores, odores e sons do mundo  real -, é essencial para o pleno desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Aprender na horta escolar é aprender no mundo real em sua plenitude. Traz benefícios para o desenvolvimento de cada aluno da comunidade escolar é uma das melhores formas de tornar as crianças ecologicamente alfabetizadas e, desse modo, aptas a contribuir para a construção de um futuro sustentável.

O processo de aprendizagem

Por estar intelectualmente fundamentada no pensamento sistêmico, a alfabetização ecológica é muito mais que educação ambiental. Ela oferece um poderoso arcabouço para a abordagem sistêmica da reforma escolar que hoje está sendo amplamente discutida pelos educadores. Pesquisas recentes nos campos da neurociência e do desenvolvimento cognitivo levaram a um novo entendimento do processo de aprendizagem, baseado na visão do cérebro como um sistema auto-organizado complexo e altamente adaptativo. Graças à interconectividade do cérebro, tudo que acontece a uma criança tem conseqüências diretas e indiretas. Corpo e mente, ou cérebro e mente, interagem profundamente. Por exemplo, o estresse pode enfraquecer o sistema imunológico, enquanto a descontração e o risco podem fortalecê-lo. Tocar piano ou cantar em um coral melhora o raciocínio espacial. A leitura aumenta a capacidade de abstração do aluno, e assim por diante. Toda aprendizagem é complexa, e em cada encontro os professores estão lidando com o sistema inteiro, com a criança como um todo.

Como todos os sistemas vivos, o cérebro cresce e se desenvolve. Hoje se sabe que na criança o crescimento do cérebro é acompanhado por um desenvolvimento correspondente das funções cognitivas. No córtex cerebral, o desenvolvimento não envolve a formação de novas células nervosas, e sim a criação de uma rede complexa de conexões neurais.

À medida que uma criança amadurece, as possibilidades de interconexões nessa rede neural em crescimento são praticamente infinitas. As conexões efetivamente formadas e os caminhos e funções que se tornam estáveis dependem muito do ambiente que  envolve a criança. A rede neural exibe a importante propriedade de poder alterar sua conectividade em resposta ao ambiente.

A sensibilidade do cérebro a influências ambientais é especialmente acentuada na primeira infância, quando a maior parte da rede neural está se formando. Desde que as pesquisas nesta área começaram, no final da década de 1950, tem havido amplo consenso entre os psicólogos infantis de que a exposição precoce a um ambiente rico em experiências sensoriais e desafios cognitivos tem efeitos benéficos duradouros, enquanto a privação dessas experiências pode inibir o desenvolvimento neurológica futuro. No Centro de Ecoalfabetização descobrimos que a aprendizagem na horta escolar, na cozinha, na fazenda ou no riacho é a aprendizagem no mundo real em toda a sua plenitude.

Como a rede neural altera continuamente sua conectividade em resposta ao ambiente a que a criança é exposta, crianças diferentes desenvolvem sistemas nervosos diferentes: diferentes caminhos, uma mistura diferente de funções cognitivas, e assim por diante. Em outras palavras, cada cérebro é organizado de forma singular; por isso, as crianças exibem uma grande diversidade de estilos de aprendizagem, envolvendo vários tipos de inteligência.

Outra conseqüência importante da visão do cérebro como um todo integrado, inserido em todos maiores, é a noção de que a aprendizagem não envolve apenas o cérebro e o sistema nervoso, mas toda a fisiologia do corpo. O papel das emoções, em particular, é fundamental. Na educação, as emoções sempre foram consideradas importantes, porém essencialmente distintas do raciocínio. Descobertas científicas recentes nos forçaram a mudar drasticamente esta visão. Os cientistas perceberam que emoção e cognição interagem de forma contínua, alimentando-se e moldando-se mutuamente. O que aprendemos não é somente influenciado, mas também organizado pelas emoções. Isto tudo significa que um ambiente emocionalmente seguro é crucial para a aprendizagem.

O novo entendimento do processo de aprendizagem também envolve o reconhecimento de que toda aprendizagem é fundamentalmente social. Cada indivíduo está necessariamente inserido em um sistema social, em uma comunidade. Parte de nossa identidade depende dos laços que tentamos estabelecer na comunidade e boa parte de nossa aprendizagem depende das comunidades a  que pertencemos.

Assim, o estabelecimento de comunidades saudáveis e inteligentes não só é necessário para a sustentabilidade ecológica, como também facilitar a aprendizagem. Alguns educadores acreditam que, idealmente, as escolas devem ser “comunidades de aprendizes “ onde experiências e desafios intelectuais sejam realmente vivenciados e não apenas verbalizados. Esta idéia também é totalmente compatível com nossa experiência boas na escolas de alfabetização ecológica. Observamos repetidas vezes que  a formação de comunidades é essencial para promover a alfabetização ecológica.

A busca de padrões e significados

Nesta breve revisão das pesquisas recentes sobre o cérebro e suas implicações para a educação, concentrei-me até aqui nas condições que facilitam a aprendizagem: um ambiente sensorial rico, segurança emocional e o apoio da comunidade. Agora vou falar do processo de aprendizagem em si.

Hoje se sabe muito bem que as crianças não chegam à escola como frascos vazios para serem preenchidos com informações, mas constroem ativamente seus conhecimentos, relacionando todas as novas informações a experiências anteriores, em uma busca constante de significados. Do ponto de vista evolutivo, a busca de significados está voltada para a sobrevivência e constitui um elemento básico da natureza humana. Temos uma tendência inata a dar um sentido a nossas experiências, a buscar significados. O cérebro não gosta de lidar com peças isoladas de informação.

Entendo que o significado é a experiência de um contexto, e contexto é um padrão de relações entre o objeto ou evento que está sendo estudado e seu ambiente. Logo, a busca de significado é uma busca de padrões. De fato, é isso que a pesquisa do cérebro nos revela. A busca de significado ocorre através da “modelagem”, como diria um neurocientista. Esta modelagem é inerente à fisiologia do cérebro. Grupos de células cerebrais se combinam para formar circuitos e redes neurais que funcionam em sincronia. Novas experiências e interpretações reconfiguram estes padrões automáticos. A aprendizagem é necessária quando um padrão preexistente é contestado ou rompido, e um dos motivos pelos quais essa nova aprendizagem costuma levar algum tempo para acontecer é que essas mudanças não são apenas mentais, mas também fisiológicas.

Em suas análises detalhadas do fenômeno da modelagem, os neurocientistas descobriram que as emoções são fundamentais nesse processo. Quando existe uma falta de segurança emocional, quando o sistema está afogado em hormônios de estresse, a percepção de padrões é uma das primeiras coisas a desaparecer. A percepção se reduz a objetos concretos; ocorre uma fragmentação um deslocamento do todo para as partes. Isto mostra que a segurança emocional é fundamental para que possa ocorrer á essência do processo de aprendizagem: a busca de padrões e significados.

Integrando o currículo

O novo entendimento do processo de aprendizagem sugere a necessidade de estratégias de ensino mais adequadas. Em particulares, torna evidente a necessidade de um currículo integrado que valorize o conhecimento contextual, no qual as várias disciplinas sejam vistas como recursos a  serviços de um objetivo central. Uma boa forma de conseguir esse tipo de integração é a abordagem conhecida como “ aprendizagem baseada em projetos “ , que consiste em fomentar experiências de aprendizagem que engajem os estudantes em projetos complexos do mundo real, através dos quais possam desenvolver a aplicar suas habilidades e conhecimentos.

Em nossas escolas de ecoalfabetização praticamos a aprendizagem baseada em projetos, usando como tema central  uma horta escolar ou o projeto de recuperação de um curso d’ água. Com o passar dos anos, passamos a definir currículo como “ os conteúdos e contextos que ajudam o estudante a criar significados, desenvolver comportamentos e valores e compreender o mundo”.

É evidente que só é possível integrar o currículo através da horta, ou outro projeto de orientação ecológica, se a escola se tornar uma verdadeira comunidade de aprendizagem. As relações conceituais entre as várias disciplinas podem ser explicitadas apenas se existirem relações humanas correspondentes entre professores e administradores.

Em uma comunidade de aprendizagem como essa, professores, alunos e administradores estão todos conectados em uma rede de relações, trabalhando juntos para facilitar a aprendizagem. O ensino não acontece de cima para baixo, mas existe uma troca cíclica de informações. O foco está na aprendizagem, e todos no sistema são ao mesmo tempo mestres e aprendizes. Laços de realimentação são intrínsecos ao processo de aprendizagem, e a realimentação passa a ser o principal objetivo da avaliação. O pensamento sistêmico é crucial para a compreensão do funcionamento das comunidades de aprendizagem. Na verdade, os princípios da ecologia podem ser também interpretados como princípios da comunidade.

Conclusão

Para concluir, gostaria de ressaltar mais uma vez que o pensamento sistêmico é o núcleo intelectual da alfabetização ecológica, o arcabouço conceitual que nos permite integrar seus vários componentes. Neste ensaio, examinei quatro componentes:

1. a compreensão dos princípios da ecologia, sua experimentação na natureza e a conseqüente aquisição de um senso de lugar;

2. a incorporação de insights nascidos de um novo conceito de aprendizagem, que enfatiza a busca de padrões e significados por parte da criança;

3. a implementação dos princípios da ecologia para construir e manter uma comunidade de aprendizagem;

4. a integração do currículo  através da aprendizagem baseada em projetos.

À medida que nosso novo século se desdobra, a sobrevivência da Humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica: nossa capacidade de compreender os princípios básicos da ecologia e viver de acordo com eles. Este é um empreendimento que transcende todas as diferenças de raça, cultura ou classe social. A Terra é nosso lar comum, e criar um mundo sustentável para nossas crianças e para as futuras gerações é uma tarefa para todos nós.

Chico Mendes vive!

No dia 22 de dezembro de 1988 ( 22 anos atrás), Chico Mendes foi morto por fazendeiros que reagiam ao seu ativismo em prol da defesa da floresta e das pessoas do Acre.

Durante os anos 8O, Chico Mendes lutou incansavelmente e com muita coragem enquanto seus companheiros eram ameaçados e mortos. Sua liderança tornou-se reconhecida mundialmente e por isso o governo Brasileiro começou a dar respostas retirando algumas terras dos fazendeiros e transformando-as  em áreas protegidas. Compreendendo a ameaça que havia se tornado, Chico Mendes fez uma declaração no Rio de Janeiro prevendo o seu assassinato, pouco antes de sua última viagem de volta ao Acre.

“Não quero flores em meu enterro, por que sei que vão arrancá-las da floresta! Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a proteção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas como eu, líderes seringueiros que defendem a Floresta Amazônica e fazem dela um exemplo de que é possível o progresso sem destruição. Vou a Xapuri encontrar com a morte”.

E isso foi o que aconteceu em 22 de dezembro de 1988, logo depois que ele chegou em casa para se reunir com sua família.

A semente tem que morrer para germinar. E foi neste dia que iniciou-se um novo ciclo da luta pela causa ambiental no Brasil e no mundo. Sem sombra de dúvidas, estamos num movimento que continua o que Chico começou.

Quando agimos por um mundo sustentável, justo e feliz podemos ter a certeza de que Chico Mendes vive em nós como uma semente de esperança e inspiração.

PARTIDO VERDE




Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.